Devanir Merengué

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Devanir Merengué

SOBRE OS PERIGOS DE ATRAVESSAR A PONTE : OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE

Mr. Tambourine Man é o nickname de um adolescente isolado em um pequeno vilarejo do Rio Grande do Sul e que tem a internet como possibilidade. Lá persegue os vídeos postados por uma bela morena, Jingle Jangle. As referências ao universo de Bob Dylan são evidentes. O adolescente vive entre o universo virtual  e o cotidiano lentíssimo de sua aldeia. Com muita angústia e ambigüidade entre esses mundos, vislumbra a despedida desse lugar que tem a adaptação ou o suicídio como saída.

Os suicídios acontecem em uma grande ponte e, na película, tem um caráter simbólico: ficar , se jogar da ponte ou... ir são as mais óbvias possibilidades. A pequena e claustrofóbica cidade fala, de algum modo, a todos nós, de nossos lugares sabidos e seguros, mas que, tantas vezes, se tornam insuportáveis. Ir, no entanto, nem sempre se configura como uma saída fácil, pois pressupõe um sem fim de surpresas, sacrifícios, desafios.

É inevitável que os adolescentes se identifiquem com as possibilidades apontadas e que os adultos reavaliem suas escolhas. Nesse sentido, como não pensar na minha adolescência enclausurada na falta de dinheiro, no excesso de sensibilidade e no desejo imenso de ir, ir? Desde garoto e morando na zona rural, eu olhava admirado o movimento dos carros, visto em um horizonte distante. Eles sim, iam, iam...

Em Os famosos e os duendes da morte, belíssimo filme de Esmir Filho, baseado no livro de Ismael Caneppele do mesmo nome esta talvez seja a questão central. Como ficar se você ‘não cabe’ mais no lugar? Como ir sem saber se esse lugar futuro acolherá você?

As bonitas imagens da internet podem ser, algumas vezes, o imaginário criativo do adolescente que tem na maquina a principal rota de fuga, mas também é de lá que vem sua saída concreta.